Preparando a casa para a chegada de um Cane Corso
Quase tudo em casa se ajusta depois. Três coisas não: o cercamento, o piso onde ele vai correr e o combinado entre as pessoas da casa sobre o que o cão pode e não pode. Essas três valem resolver antes de o filhote entrar pela porta.

Este texto é a lista do antes. O que acontece depois, na rotina da casa, está em a vida em residência com um Cane Corso.
E vale começar pelo princípio que organiza tudo: prepare a casa para o cão adulto, não para o filhote que vai chegar. Ele entra com poucos quilos e sai da adolescência com 45. Quase tudo que você resolver pensando no filhote precisará ser refeito em oito meses.
As três coisas que não podem esperar
A primeira é o cercamento. Muro ou cerca que um adulto de 45 quilos não transponha, não cave por baixo e não force. Portão com trava que ele não abra com o focinho, porque Corso aprende a abrir tranca simples. Vale conferir vãos: o que hoje é pequeno demais para ele passar não será em três meses.
A segunda é o piso dos trajetos. Piso liso e escorregadio sobrecarrega articulação em raça grande, e o filhote em crescimento é justamente quem mais sofre com isso. Tapetes ou passadeiras antiderrapantes nos caminhos que ele mais vai usar resolvem barato.
A terceira é o combinado entre as pessoas. Antes de o cão chegar, decidam: sobe no sofá ou não? Entra no quarto ou não? Ganha comida da mesa ou não? Não existe resposta certa; existe resposta igual para todos. O Corso é excelente em ler padrão, e regra que muda conforme quem está em casa é a coisa que mais atrapalha na educação dessa raça.
O canto dele

Reserve um lugar que seja dele: cama ou colchonete em canto de pouco trânsito, longe da porta de entrada e fora da corrente de ar.
A regra que faz esse lugar funcionar é simples e costuma ser quebrada: ninguém o incomoda ali. Nem para fazer carinho, nem para tirar dali. É o espaço em que ele pode se retirar, e cão sem opção de se retirar precisa avisar de outro jeito.
Compre a cama pensando no adulto. Cama de filhote dura três meses.
O que sai do alcance
O filhote explora com a boca, e o alcance dele cresce toda semana. Fios elétricos ficam presos ou em canaleta. Produtos de limpeza, em armário alto ou com trava. Remédios, sempre fora do alcance, inclusive bolsa e mesa de cabeceira. Plantas tóxicas, como comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge, lírio e azaleia, saem. Objeto pequeno que caiba na boca, meia, tampa, brinquedo de criança, também sai, porque corpo estranho engolido é cirurgia. E o lixo precisa de tampa que ele não abra.
Piscina merece linha própria: filhote cai e não sabe sair. Cerque ou ensine a rota de saída, com supervisão, desde cedo.
O que comprar antes
Comedouro e bebedouro pesados ou elevados, que ele não vire, com água em mais de um ponto da casa.
Ração, a mesma que ele vinha comendo no canil. Se você pretende trocar, faça depois, e em transição de sete a dez dias: troca brusca somada à mudança de ambiente costuma dar diarreia, e a culpa cai na ração nova sem razão.
Guia e coleira adequadas ao porte, e uma peitoral para o começo do treino de caminhada. Guia retrátil não é indicada para cão grande.
Brinquedos resistentes, do tamanho certo, porque brinquedo que cabe inteiro na boca é risco de engasgo. Vale um mastigável para a fase de troca de dentes. E um comedouro interativo, que é a ferramenta que mais rende contra tédio.
As primeiras 48 horas

O filhote acaba de sair da mãe e dos irmãos e chegou a um lugar sem nenhuma referência conhecida. Isso pede menos festa, não mais.
Chegue com calma e apresente a casa aos poucos, cômodo por cômodo, começando pelo canto dele e pelo lugar do xixi. Deixe a visitação para depois: a família inteira e os amigos no primeiro dia é estímulo demais.
Espere choro nas primeiras noites. É esperado, e o que ajuda é cama perto de alguém nas primeiras noites e algo com o cheiro da ninhada.
Comece a rotina no primeiro dia: horário de comida, lugar do xixi, regras. Adiar "porque ele acabou de chegar" ensina o contrário do que você vai querer daqui a um mês.
E o que não dá para preparar em casa
A parte mais decisiva já aconteceu antes: a janela de socialização, aberta da terceira à décima segunda semana. Ninhada criada dentro do movimento da casa, com ruído, gente e manuseio diário, chega com metade do trabalho feito.
Quando o filhote chega, essa janela ainda está aberta por poucas semanas. Aproveitá-las é mais importante que qualquer item desta lista. Explicamos em filhote de Cane Corso.
