Vacinas para Rottweiler: o calendário e o que cada uma cobre
O calendário do filhote existe por um motivo específico: os anticorpos que ele recebe da mãe protegem por algumas semanas e depois somem — e é a sobreposição entre essa queda e a primeira dose que decide se ele fica desprotegido no meio do caminho.

Vacinar não é burocracia de canil. É o que separa um filhote de Rottweiler de duas das doenças que mais matam cão jovem no Brasil, a parvovirose e a cinomose. A primeira tem predileção conhecida por raças de pelagem preta e castanha, e o Rottweiler está entre as mais atingidas.
O calendário parece arbitrário quando alguém só recebe a lista de datas. Ele fica óbvio quando se entende o que está acontecendo por baixo.
Por que são três doses, e não uma
O filhote nasce sem defesa própria e recebe anticorpos da mãe pelo colostro, nas primeiras horas de vida. Essa proteção emprestada dura algumas semanas e vai caindo, em geral entre a sexta e a décima segunda semana, mas o momento exato varia de filhote para filhote e não dá para medir na rotina.
Aí está o problema: enquanto os anticorpos maternos estão altos, eles neutralizam a vacina junto com o vírus. Aplicada cedo demais, a dose não pega. Aplicada tarde demais, o filhote passa um período descoberto.
A solução é repetir. Três doses espaçadas garantem que pelo menos uma caia na janela em que os anticorpos maternos já baixaram e o sistema imune do filhote já responde. É a única forma de acertar um alvo que se move.
As doenças que a polivalente cobre

A vacina múltipla, a V8 ou a V10 conforme o laboratório, cobre várias doenças em uma aplicação.
A cinomose é viral e altamente contagiosa. Ataca o sistema respiratório, o digestivo e depois o nervoso, e quem sobrevive frequentemente fica com sequelas neurológicas permanentes. Não tem tratamento específico.
A parvovirose causa diarreia hemorrágica e desidratação rápida em filhote. O vírus é extremamente resistente no ambiente: sobrevive meses no solo e não sai com limpeza comum. É a razão de não levar filhote não vacinado a lugar de passagem de outros cães.
A hepatite infecciosa canina ataca fígado, rins e olhos. A parainfluenza e a adenovirose são doenças respiratórias, componentes do complexo da tosse dos canis. A coronavirose dá um quadro gastrointestinal, mais brando que o da parvovirose.
A leptospirose é bacteriana, transmitida pela urina de roedores e por água contaminada, e é a diferença entre a V8 e a V10, que cobre mais sorovares. Importa em qualquer lugar com rato, o que inclui a cidade. E é zoonose: pega em gente.
Fora da polivalente, e obrigatória por lei, vem a antirrábica. A raiva é fatal e sem tratamento depois dos sintomas, em cão e em pessoa.
O calendário do filhote
- 6 a 8 semanas
- Primeira dose da polivalente
- 10 a 12 semanas
- Segunda dose
- 14 a 16 semanas
- Terceira dose
- A partir de 16 semanas
- Antirrábica
- Anualmente
- Reforço da polivalente e da antirrábica
As faixas são a referência usual. Quem define o protocolo é o veterinário que acompanha o animal, porque histórico da mãe, região, ambiente e reações anteriores mudam a conta, e algumas situações pedem uma quarta dose.
A vermifugação anda em paralelo e começa antes: verminose compromete a resposta à vacina, e filhote com carga alta de parasita responde pior.
As opcionais, e quando fazem sentido
Não são vacinas de segunda linha. São vacinas cuja indicação depende do que o cão faz da vida.
A da tosse dos canis (Bordetella) é para cão que frequenta hotel, creche, exposição ou parque com movimento; cão de casa com passeio na rua raramente precisa. A da gripe canina segue a mesma lógica, em regiões com surto. A de giárdia é indicada em ambiente com histórico do parasita.
Nenhuma substitui a polivalente, e todas dependem de avaliação.
O dilema real: esperar ou socializar

Este é o ponto que os calendários não resolvem e que decide muita coisa.
A imunização completa chega perto das 16 semanas. A janela de socialização, o período em que o cão aprende o que é normal no mundo, vai da terceira à décima segunda semana e fecha antes disso. Esperar a última dose para começar a apresentar o filhote ao mundo significa perder a janela inteira.
Num cão que vai passar dos 50 quilos, esse custo é alto: falta de socialização em Rottweiler adulto não é timidez, é problema de manejo. O caminho não é escolher um dos dois, é escolher onde. Evite lugar de passagem de cães desconhecidos, como parque, pet shop, calçada movimentada e canteiro público. Prefira a casa de gente conhecida com cão adulto vacinado, o carro, o colo em ambiente novo, superfícies e ruídos diferentes dentro de casa, e visitas em casa.
O risco é a parvovirose no chão da rua, não o mundo em si.
Depois da aplicação
Reação leve é comum e passa em 24 a 48 horas: sono, apetite menor, inchaço no local. Compressa morna resolve o inchaço.
Procure o veterinário na hora se aparecer inchaço no focinho ou nos olhos, coceira intensa, vômito repetido ou dificuldade para respirar. É raro, mas é rápido, e por isso vale não aplicar vacina no fim do expediente da clínica.
Guarde a carteira de vacinação. Ela é exigida em hotel, creche e viagem, e é o histórico que qualquer veterinário novo vai pedir.
No Canil Mansur
O calendário de vacinação e vermifugação de cada ninhada é orientado pelo veterinário que a acompanha, e o filhote sai com o histórico do que já foi aplicado, para que o veterinário da casa nova continue de onde paramos, sem repetir dose nem deixar buraco.
Antes disso vem a seleção: os reprodutores passam por avaliação radiográfica de quadril, que é a parte que vacina nenhuma resolve. Explicamos em Rottweiler com pedigree e em filhote de Rottweiler puro.
